Museu Etnográfico da Lousã “remusealizado” para valorizar a identidade serrana através da inovação

Museu Etnográfico da Lousã “remusealizado” para valorizar a identidade serrana através da inovação

Para celebrar o dia do nascimento do patrono Louzã Henriques, o Museu Etnográfico da Lousã reabriu hoje ao público como um espaço mais próximo da comunidade e de “valorização da história e tradições, integradas inovação e tecnologia”, segundo o presidente da autarquia que reinaugurou o museu.

A reinauguração do museu decorreu este domingo na presença dos familiares de Louzã Henriques, psiquiatra e etnólogo falecido em 2019, da diretora Regional da Cultura, Suzana Menezes, do vogal executivo do programa Mais Centro na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Jorge Brandão, do presidente da ADXTUR, Paulo Fernandes, autarcas locais e de representantes da Liga dos Amigos do Museu.

Luís Antunes disse tratar-se de um “dia importante após vários meses de trabalho intenso” em que foi possível reabrir “um importante espaço cultural do concelho” a que acresce a “valorização da coleção e do espaço museológico”, a serem entendidas como uma “homenagem ao seu patrono e como um contributo relevante para o reforço da identidade concelhia, da Serra da Lousã, das Aldeias do Xisto, dos povos serranos e do Mundo Rural”.

O Museu Etnográfico da Lousã – que existe há três décadas e ocupou outros espaços na vila, entre eles a antiga escola das raparigas e integrando depois o projecto com vários pólos denominado Ecomuseu da Serra da Lousã já no actual edifício a poucos metros da Estação ferroviária desativada da Lousã – foi agora “remusealizado” com uma intervenção tida pela autarquia “como um reconhecimento a todos aqueles que desde o início do projeto contribuíram para o seu início e desenvolvimento”

Com o assumir “profundas alterações” no museu dedicado à etnografia e cultura rural da Lousã, o autarca referiu que se trata de um “desígnio importante” para Lousã em termos culturais mas “não é o único” estando “outros em execução e alguns já candidatados e que têm também a ver com o projeto do Eco Museu Serra da Lousã”.

Do investimento da autarquia nas valência culturais e turísticas, o autarca destacou que se trata de um investimento de 150 mil euros, ao abrigo do programa Valorizar, e disse acreditar que “irá aproximar, de forma mais efetiva, o museu da comunidade e que chegou a contar com a “análise crítica e validação prévia do Dr. Louzã Henriques”.

A diretora Regional de Cultura do Centro considerou que a reabertura do museu é “uma oportunidade única a cultura local e que é importante não deixar a memória cultural “cristalizar no espaço e no tempo”.

Suzana Menezes considerou que o espólio do museu contém “poderosas imagens de marca em torno da comunidade” e afirmou que o concelho “tem tido uma sólida aposta no património da Lousã, na cultura e nas instituições da memória” regional.

Dos três pisos, dois incluem a coleção permanente do Museu Etnográfico, apresentada pelo gabinete “Providência Design” sendo o primeiro andar dedicado à também inaugurada exposição temporária “Agricultura Lusitana 2015-2020”.

Esta exposição, apresentada pelo presidente da direção da ADXTUR consiste “numa viagem cultural pelas Aldeias do Xisto”, onde podem ser visualizadas peças e conhecidas tradições seculares com a ambiência das aldeias, com o contributo de organizações de ensino superior de todo o território das Aldeias do Xisto, que agregam vários distritos da Região Centro de Portugal.

O grupo vocal “Segue-me à Capela” criou uma “experiência sonora ligada à temática do Museu e ao seu patrono” ao longo dos vários momentos da reinauguração. A requalificação do Museu Etnográfico e da coleção foi apoiada financeiramente pelo Programa Valorizar – Linha de Apoio ao Turismo Acessível, do Turismo de Portugal.

No âmbito da politica cultural e turística do município, a Câmara da Lousã acolheu, recentemente, um valioso acervo proveniente da Coleção de Pintura do Novo Banco no Museu Municipal Prof. Álvaro Viana de Lemos.

No concelho existe também o “único museu dedicado ao Circo, em Portugal” denominado MOMO e inaugurado em fevereiro de 2019, na antiga escola primária de Foz de Arouce, “cedida à Companhia Marimbondo e adaptada para receber uma coleção de características muito singulares e espetáculos “

À requalificação do Castelo da Lousã, Monumento Nacional e um dos ex-libris da Lousã, (a par das Ermidas da Senhora da Piedade) com “riqueza patrimonial de uma forte carga identitária e que, desde a sua abertura, em abril de 2019, teve mais de 60.000 visitantes”, associa-se esta semana a inauguração oficial dos “passadiços em madeira que ligam o Cabo do Soito à Piscina, assim como a modernização da zona da Piscina e do restaurante que vieram valorizar este complexo”.

Um investimento de 2 milhões de euros integralmente suportado pela Câmara Municipal na reabilitação e modernização do Cine-Teatro da Lousã e o apoio às “atividades regulares e pontuais dos agentes culturais locais evidencia a qualidade e transversalidade do tecido cultural concelhio” com a expectativa da “criação de públicos para as diferentes expressões da realidade cultural.”

Museu Etnográfico da Lousã “remusealizado” para valorizar a identidade serrana através da inovação